
Poderia ser o título de um filme, daqueles de orçamento baixo, pejado de drama, promessas de amor e vingança, lágrimas de crocodilo, tramas engendradas entre lençóis encardidos em motéis ranhosos à beira de estrada,”menáges a trois”, etc.…Todo o enredo propício a uma boa dose de suspiros, uma lágrima ao canto do olho e um desejo absurdo, quase ridículo de vermo-nos por detrás da tela, vivendo vidas que em nada se assemelham à nossa, por vezes, miserável existência, qual deserto árido, onde nada cresce, onde tudo se esfuma e nada existe para lá do horizonte difuso…
Sem ferir qualquer susceptibilidade, em termos literários, seria um título digno dum livro de Paulo Coelho ou mesmo Nicholas Sparks (“Vade retro” Satanás!), ambos dissertando, divagando, cozendo, moendo, triturando, manchando, vandalizando as vastíssimas variantes ou cambiantes do amor, o amor fraterno, filial, próprio, incestuoso, carnal, platónico, enfim, em todos os estados, líquido sólido ou gasoso, amor puro e melodramático, amor que chega a causar náuseas, borbulhas no rosto, atentados suicidas, obesidade mórbida, anorexia e afins.Amor eclético, para todos os gostos e bolsos sob a forma de lixo literário…Tantos PLEONASMOS amorosos, o WC fica mesmo na esquina, a sanita está limpa, já posso pôr as mãos à boca…
No fundo, fiquei com as tuas palavras a martelarem-me a cavidade craniana, por terem sido ditas com convicção, como se de uma certeza absoluta se tratasse,”No limiar do amor”, é onde estou ou supostamente deveria estar, ou onde estás tu à minha espera, ou ainda, para onde caminhamos ambos de olhos vendados…É um lugar invisível, uma estação de comboio, um descampado, um parque de estacionamento, um cais, uma viagem? …Na soleira de uma porta, é a definição correcta…Tenho que limpar os pés ao tapete de entrada, já limpaste os teus? Descalçar-me se necessário, quero sentir o chão morno, deixar a “sujidade” toda atrás das costas, entranhada no tapete…Abres-me a porta? Entramos juntos?
Lembras-te meu amor como tudo começou,quando dizias a rir: Urraca estás no limiar do amor e eu aflita tentava negar porque simplesmente tinha vergonha de admitir que tinha caido numa
emboscada e a rendição era eminente....És tão perfeito em todos os sentidos,qualidades e defeitos,vejo-te tão nitidamente,cristalinamente,docemente...





















